LULAS

O tamanho das lulas varia desde de 1,5cm até o gigantesco Architeuthis, sendo que um dos maiores exemplares encontrados tinha um corpo com mais de 16 metros de comprimento, incluindo os tentáculos, e o diâmetro do corpo de 3 metros.
As lulas pertencem á ordem Dibranchia (um par de brânquias), subordem Decapoda (dez braços). Estes braços são usados para segurar objetos ou capturar presas, com o auxílio de várias fileiras de ventosas. Dos dez braços, oito são largos e espessos na base enquanto que dois são mais compridos que o corpo e finos em toda sua extensão.
As lulas comumente encontradas nas águas brasileiras apresentam-se de tamanho que varia entre 3,2 e 12,5 cm de comprimento (corpo mais braços). As lulas argentinas são bem maiores que as brasileiras e de coloração bastante clara.
Distribuem-se geograficamente desde o Caribe até a Argentina. Sua captura foi iniciada pelos chineses em 1863, mas só começou a se desenvolver em maior escala em 1942.
Vivem em grandes cardumes sobre a plataforma continental e para sua captura são utilizados luzes ao redor das redes, sendo atraídas pelos fachos de luz. As redes tem aproximadamente 55 m de comprimento por 5,5 m de altura mas também são comumente coletadas em rede de arrastos de peixe e camarão.

POLVOS

Os polvos pertencem à sub-ordem octopoda, isto é, possuem oito tentáculos armados de ventosas, dispostos ao redor da cabeça. Para se locomover rastejam utilizando os tentáculos, ou, ocasionalmente, nadam por jato-propulsão. Em alguns polvos machos as ventosas próximas da abertura bucal são mais desenvolvidas que as outras.
Seu corpo não possui concha sendo completamente mole. Sua pele é rugosa e pode mudar de cor como nas lulas, tanto para o ataque quanto para a defesa diante do perigo. Na cabeça tem dois olhos amendoados com iris vertical verde.
A bolsa de tinta dos polvos é bem maior do que s das lulas e quando em perigo, liberam grande quantidade de tinta, formando uma nuvem atrás, facilitando a fuga.
Os polvos normalmente pescados tem tamanho que varia entre 20 cm e 50 cm, atingindo por vezes 80 cm.
A maioria vive em águas rasas dos mares quentes e temperados geralmente habitando cavernas ou cavidades de rochas. Os polvos são indivíduos solitários, isto é, vive apenas um em cada toca e se juntam, um macho com uma fêmea, na época do acasalamento.
Existem 3 gêneros de polvos que pertencem à família Octopodidade e ocorrem no mundo: Octopus, Eledona e Bathypolypus, sendo que o gênero Octopus é de maior importância comercial no Brasil. O gênero Eledona ( espécies Cirrohosa, Moschata e Aldevand) distribuem-se principalmente no Mar Mediterrâneo e Atlântico Noroeste, sendo a espécie Aldevandi conhecida popularmente como “polvo ruivo”.

ALGUNS CUIDADOS

O odor das cefalópodes deve ser algo normal de um fruto do mar, isto é, não exalando cheiro forte.
Nas lulas a pele deve estar inteira, pela quebradiça pode significar não estar fresca. A carne dos cefalópodes deve estar rígida e com musculatura firme.
A cor deve ser próxima da de quando estavam com vida. Se não for retirada a glândula de tinta da lula esta poderá estourar manchando a pele do animal, isto porém não apresenta perigo algum.
Para melhor conservação, as vísceras das lulas e polvos devem ser retiradas o mais rápido possível, ou seja, limpar os animais deixando apenas o manto (corpo) e os tentáculos (braços).
Se você é praticante de caça submarina lembre-se que os polvos ao morderem podem expelir substância venenosa.
Existem inúmeras estórias e lendas de polvos gigantes que atacavam embarcações e provocavam grandes maremotos quando se movimentavam no mar. O famoso “Kraken” dos escandinavos, seria um polvo que parecia uma ilha flutuante.

CULINÁRIA

As lulas e polvos com sua carne clara e firme se apresentam como ingredientes finos da culinária internacional.
A cozinha francesa dá pouco espaço às lulas e quase nenhum aos polvos. É no Sul da França e nos outros países do Mediterrâneo, Portugal, Itália e principalmente Espanha que os cefalópodes são mais apreciados.
Via de regra, não se deve temperar lulas e polvos com limão antes da elaboração do prato sob risco de enrijecer demais a textura da carne. Alguns recomendam que o polvo deve ser batido longamente com um rolo de pau e depois passar por uma operação de branqueamento para então se iniciar a preparação.
As lulas podem ser preparadas recheadas, à provençal, cozidas ao vinho branco e servidas frias com molho aioli, fritas e de diversas outras maneiras.
Os italianos adoram um espaguete com lulas, e aqui vão duas dicas: primeiro, frite as lulas até formar uma pequena crista na caçarola antes de colocar os tomates que o molho terá um sabor realçado. Segundo, adicione cubinhos de beringela que conforme orientação do Perrotti destacam aromas e sabores.
Na cozinha espanhola a preparação clássica são os “calamares en su tinta”, preparação também encontrada em Veneza onde são acompanhadas com polenta.
Dentre as principais receitas francesas destacam-se as lulas recheadas à marseillaise; cozidas com aspargos e champignon; ou num ragout à base de vinho tinto.
Os polvos apresentam como maior dificuldade em sua preparação o acerto no ponto de cozimento.
O tamanho, espécie do polvo e o tipo de prato são elementos que exigem tempo de cocção diferenciados.
Dentre os pratos a base de polvo a preparação à vinagrete é um aperitivo dos mais apreciados. As formas mais tradicionais encontradas na França são o polvo à provençal, em “bourride” (com tomate e vinho branco), ou em “daube” (temperado ao cognac e preparado ao vinho tinto).
As receitas clássicas internacionais incluem o polvo à grega (azeite, vinho branco e coentro); à galega (fervido e servido no azeite com muito alho e açafrão); o guisado português que deve ser preparado à base de vinhos branco, porto e tinto, um de cada vez; ou ainda o arroz de polvo, onde polvo, arroz e chouriços são cozidos juntamente.


VINHOS

Ao contrário das conchas onde o casamento clássico com vinho branco é quase insubstituível, os cefalópodes permitem um maior elenco de opções.
A carne branca dos cefalópodes, seus diferentes pontos de cozimento em função das variações na forma de preparo podem exigir um vinho branco, rosé ou mesmo tinto.
As lulas e polvos quando servidos frios pedem um Chardonnay, um Saumur e sem dúvida se encaixam perfeitamente com um Champagne.
As lulas quando recheadas com os próprios tentáculos se associa com um Sancerre ou Corte de Provence, no entanto se utilizarem algum tipo de carne de porco (presunto, por exemplo) podem ser acompanhadas por um vinho tinto jovem e frutado.
Um bordeaux ou bourgogne branco de caráter convém às preparações com alho ou à nicoise. Algo imperdível é saborear uma “Quenelle” de lula no Restaurante Soupion em Perpignan no sul da França, acompanhada de um Coteau Champenois, blanc de blanc de uvas Chardonnay.
Um bom guisado de polvo ou as preparações à base de vinho tinto devem ser degustados com um “rouge” de caráter, por exemplo um cru de beaujolais, tal qual um Moulin a Vent ou um Fleurie, um cru bourgeais, ou ainda, como costuma dizer o Tolovi parafraseando Raymond Dumay (Guide Du Vin, Stock, 1967). “pourquoi pas avec un petit joli Graves!”.

Bom Apetite !!!

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